domingo, 3 de abril de 2011

Opinião cheia de personalidade de Rita Lee.

Agora acabou a farsa. Chegou a hora de confessar publicamente que eu nunca tive a mínima idéia do que é esse tal de Rock' n roll. Sou do tempo de Chuck Berry, depois de Elvis Presley, e já diziam os indignados de antanho que rock era coisa de crioulo safado e de veado branco.
Foi justamente por isso que eu comecei a prestar mais atenção naquela gente bronzeada que queria mostrar seu valor e mandar o mundo para aquele lugar. E o cardápio de guloseimas roqueiras cresceu tanto que não havia restaurante que saciasse aquela larica existencial. Posso afirmar que a trilha sonora da minha juventude foi uma viagem de LSD cujo bilhete era só de ida. Assim sendo, nunca mais retornei ao meu sagrado lar, onde vivia sossegadinha na minha vidinha bestinha. Daí que, quando alguém chega me perguntando "Que rock é esse?", eu respondo qualquer bobagem e saio a francesa.
É um pássaro? Um avião? Um disco voador? Uma guitarra distorcida? Uma inteligência artificial? Um violãozinho porreta? Sei lá, meu. Bota tudo isso num liquidificador e chama de Rock 'n roll.
Opinião cheia de personalidade de Rita Lee.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A suspeita sempre persegue a consciência culpada...

... o ladrão vê em cada sombra um policial.
A chuva caía torrencialmente na cidade de Phoenix nos Estados Unidos. Apesar do tempo fechado, o clima na sala de onde Helena observava era sereno.
- Porque estou aqui? - disse a voz que vinha de trás dela.
-Só queria te ver - Respondeu Helena nervosa.
Leonardo e Helena, há aproximadamente dois anos, conheceram-se no bar de uma boate. No meio de todas aquelas pessoas, seus olhares se encontraram. A música, transmitia confiança para Leonardo vencer a timidez que possuia seu corpo sempre que olhava para Helena.
Durante toda aquela noite, os dois conversaram com o mesmo entusiasmo de um primeiro dia de aula, a cada coisa que diziam a curiosidade aumentava. Esqueceram até a bebida que os esperava no balcão, e quando já passava das cinco horas, enquanto Leonardo se despedia de alguns amigos, Helena saiu discretamente, deixando apenas seu número de celular em um papel manchado de batom.
Depois daquela festa, aconteceram muitos outros encontros, os dois se encontravam todo dia, e a vontade só crescia, também a paixão, e no caso de Helena, consequêntemente, o ciúme. Um ciúme incontrolavelmente feroz. Ela tratava Leonardo como seu brinquedo favorito, o egoísmo era enorme.
Cansado de ser controlado, Leonardo decidiu se afastar de Helena. Ela ficou desesperada, já não imaginava mais sua vida sem ele, afinal, ela o amava mais do que tudo, e esse era o motivo maior de todos os desentendimentos, ela o queria por inteiro.
A mente de Helena, puxava para o lado da psicopatia, mas era o exagero do seu jeito, ela ainda sabia o que era o certo e o errado, ela ainda não queria um corpo sem vida.
Mas o tempo estava passando e Helena não conseguia esquece-lo.
- Helena - disse Leonardo - não quero mais brigar com você, mas também não quero voltar ao tormento da nossa vida juntos.
- Já me conformei Leonardo, só penso que seria tolice não nos falarmos mais, nossa história foi complicada, mas foi um dos melhores momentos de minha vida.- Respondeu ela.
- Eu te entendo, concordo com você, acho ótimo voltarmos a nos falar, você parece bem agora. -Disse ele seguro.
- Então vamos brindar a nossa amizade, vou buscar as taças. - Enquanto Helena ia até a cozinha, Leonardo sorria sozinho no sofá da sala.
- Aqui está - disse ela sorrindo - um brinde... - ele bebeu, e sentiu seu cérebro pesar, e ela continuou -... de cianureto.
Ele nunca mais voltaria pra ela, mas não voltaria pra ninguém também.